segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Falta de inspiração

Ainda citando a obra: Redação Descomplicada, de Carlos Pimentel.

O autor aborda a questão que envolve a falta de inspiração, muito comum para muitos escritores ou aqueles que pretendem desenvolver a sua escrita. A inspiração advém da capacidade em que as pessoas têm de observar, e observar é um 'poder' que pode ser exercitado. O senso de observação promove a inspiração. Buscamos sempre a inspiração naquilo que nos atrai ou seduz. Entretanto, Pimentel faz uma observação importante sobre a dependência da inspiração para a escrita:

"A inspiração - ou a falta de inspiração - é um dos grandes pretextos para escrever ou não. Se o texto não sai, é porque o autor não está inspirado; se o texto acontece, é porque a inspiração chegou. Independentemtne do conceito que cada um tenha do que é inspiração, é importante pensar que não se pode depender dela, principalmente na hroa de escrever uma redação para um concurso público ou vestibular".

O engraçado é que crescemos na escola ouvindo que precisamos sempre da 'tal' inspiração. A argumentação do autor procede, quando prevemos que no dia da prova poderemos não estar tão "inspirados". 

A solução para isso seria o treino de habilidades para a escrita. A iniciar pelo planejamento do texto, entender o que se quer 'mostrar' no texto, quais serão os pilares de argumentação que sustentarão a sua tese. 

É isso!

terça-feira, 4 de setembro de 2012

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Criatividade na escrita

A seguir segue o artigo de Rubens Marchioni, publicado no livro "Criatividade e Redação" pela Edições Loyola, que, à propósito, indico para leitura. O artigo é fantástico, fala com leveza que para sermos criativos temos que estar preparados para receber a criatividade. O autor inicia o texto com uma referência ao pensamento de Wendell Holmes:

"A mente humana, uma vez ampliada por uma nova ideia,
nunca mais volta ao seu tamanho original"

Criatividade é a arte de pensar de maneira diferente para encontrar caminhos in-esperados.
A escultura da ideia está escondida dentro da pedra de nossas experiências. Caprichosa, só se revela se o candidato a artista acreditar que ela existe e aventurar-se  rocha adentro, tirando com afinco os excessos e fazendo a obra, enfim, aparecer.

Embora esperada, a ideia original sempre aparece quando menos imaginamos. Mesmo sabendo que ela vem, não a recebemos sem um certo gosto de surpresa e espanto. Já que é assim, melhor preparar-se. Mais do que isso, é bom ter  a consciência de que nossa mente, uma vez ampliada por uma ideia, não será a mesma. Quando desenvolvemos a criatividade, pouco a pouco nos tornamos pessoas diferentes. Quem nos vê percebe a mudança. Pensamentos, palavras, ações, tudo revela que estamos voltando da experiência de um momento, como quem regressa de um encontro com a divindade.

A experiência já provou que remendo novo em tecido velho não dá certo - o próprio Filho de Deus faz referência a essa realidade. Portanto, se a mente não estiver pronta para receber a criatividade, não poderá enxergá-la. E, ainda que o faça, terá dificuldade para suportar o novo, eliminando-o como se faz com as coisas improváveis e sem futuro.

Em casa, na empresa ou na escola, gerar resultados pode depender somente de saber usar a criatividade - só com ela somos capazes de encontrar soluções que os meios convencionais não conseguiram oferecer e de recebê-las adequadamente quando surgirem.

Olhando para o passado, vemos na história um desfile de pessoas e empresas notáveis que se descuidaram disso. A miopia lhe custou um bocado caro, privando-os de boas experiências de sucesso. Veja alguns exemplos:
  •  Em 1878, Jean Boillaud, da Academia Francesa de Ciências, olhou com descaso para o fonólogo de Thomas Edison e disse: "É totalmente impossível que os nobres órgãos da fala humana sejam substituídos por um insensível e ignóbil metal".
  • Direto da Universidade de Oxford, pelos idos de 1879, Erasmus Wilson fez uma afirmação pouco brilhante: "Quando a Exposição de Paris se encerrar, ninguém mais ouvirá falar em luz elétrica".
  • Falando do próprio invento, Auguste Lumière mostrou quão limitada era sua visão de futuro: "O cinema será encarado por algum tempo como uma curiosidade científica, mas não tem futuro comercial".
  • Era março de 1956 quando, ao demonstrar sua descrença no rock, a famosa revista Variety previu: "Até julho sai de moda".
  • Da revista American Cinematographer veio esta previsão em 1900: "O cinema sonoro é uma novidade que durará uma temporada".
  • A The New York Times, em 1939, arriscou e não acertou: "A televisão não dará certo. As pessoas terão de ficar olhando sua tela, e a familia americana média não tem tempor para isso". E o presidente do estúdio de cinema 20th Century Fox, em 1946, concordava: "A televisão não será capaz de manter nenhum mercado que conseguir após os primeiros seis meses. As pessoas se cansarão de olhar para uma caixa de madeira compensada toda noite.
  • Para terminar, uma afirmação para pensar: "Quem disser que um dia as ruas estarão coalhadas de carruagens sem cavalos deve ser internado num asilo de loucos".
Se aceitarmos o desafio de descobrir novas ideias, é também por acreditarmos que, transformadas em ações, elas governam o mundo. Comungamos com o pensamento do Tupac Amaru José Gabriel Condorcanqui. Ao perceber a força de uma ideia, não fez cerimônia e disparou uma certeza tão simples quanto verdadeira: "Não há calibre que mate uma ideia". No máximo, ela pode ser silenciada - os sistemas ditatoriais que o digam. Mas nem por isso deixará de existir ou perderá sua força revolucionária. Tal qual o sol, que não deixa de existir apenas porque uma nuvem teimosa insiste em passar na sua frente. E, já que falamos nisso, as nuvens são passageiras, enquanto o sol atravessa milênios.
(Fonte: MARCHIONI, Rubens. Criatividade e Redação. O que é, como se faz. Edições Loyola. 2004)




terça-feira, 7 de agosto de 2012

O começo de tudo: a leitura

Vamos direto ao ponto: você jamais escreverá bem se não for um bom leitor. A boa notícia é que, como quase tudo na vida, essa é uma habilidade que você poderá desenvolver.

Reserve um momento do seu dia para a leitura. Selecione textos ou obras que:

1. Discutam um tema ou um assunto que você tenha interessa. Não pense que há informação ou cultura apenas em revista "Veja" ou "Folha de São Paulo". Um passo de cada vez. Procure por temas que você goste, assuntos que envolvam os seus sentidos mais sensíveis. Como já dito aqui, a leitura deve ser um prazer, então vamos buscar por assuntos que nos trazem esse prazer. Então, depois vem a necessidade de buscar por informações para entender um fato, como exemplo o mensalão. Entra em ação o Jornal Folha de São Paulo, por exemplo, que irá satisfazer essa necessidade. Ler, também, é sentir a  "necessidade de", necessidade de divertir, necessidade de buscar por informações, necessidade de questionar etc.

2. Tragam a opinião de uma pessoa com experiência no campo sobre o qual ela está se pronunciando (dê preferência aos textos asstinados: colunas, artigos de opinião etc.)

3. Sejam gerados por entrevistas com personalidades nos mais diversos campos do saber: economia, política, cultura, esporte, ciência.

Qualquer que seja o veículo de informação, evite a leitura de textos que simplesmente enunciam os fatos que aconteceram. De que adianta saber que as tropas  israelenses atacaram, ontem, se você não sabe os motivos do conflito, se você não procurou se aprofundar para entender as razões e o processo histórico que conduziram à disputa entre árabes e judeus? Caso você ainda insista em seus estágio inicial de treino, esse tipo de leitura pode desmotivar e facilmente você abandonará a tarefa.

Quanto mais diversificadas forem nossas fontes de opiniões, mais solidamente construiremos a nossa visão de mundo. Estamos entrando no terreno de como desenvolver o pensamento, por isso a razão em ampliar as suas fontes.

Por hoje é isso!

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Bloqueios na escrita III: a limitação do vocabulário

Oi pessoal!

Neste post cito algumas técnicas propostas por Pimentel (2009) para acabar de uma vez por todas com a limitação do vocabulário. As dicas são valiosas, mas demanda treino, desenvolvimento  do hábito e, principalmente, acreditar que fazer algo é necessário, ou seja, movimente-se! Mude suas estratégias que não têm dado certo, teste aquelas que você acredita que podem dar certo, mexa-se e pare de resmungar que você não sabe escrever. Escrever é uma libertação, um hábito que oferece a liberdade de você expor seu racíocinio, de se expressar, comunicar. Demanda dedicação e muita leitura. Veja só:

1. Procure achar as palavras exatas para expressar seus pensamentos. Às vezes as pessoas têm a mente repleta de grandes ideias, mas faltam as palavras para concretizá-las, dar vida a elas. Isso gera a frase que todo professor ouve centenas de vezes na vida, ao fazer uma pergunta a seus aluno: "eu sei o que é, mas não sei explicar.

2. Habitue-se a ler. A leitura de bons textos, sejam eles livros, revistas, jornais, artigos de internet, é o melhor meio de ampliar o vocabulário. Quanto mais você ler, maior será o seu vocabulário e maior será a sua capacidade de expressão. Se você começar a ler diariamente, a leitura se tornará um hábito que você jamais perderá.

3. Selecione a sua leitura. É importante ler aquilo que se gosta, ler pelo prazer é uma das funções da leitura. Mas é imporante também ler para adquirir conhecimento, cultura. O ideal é procurar equilibrar prazer,  cultura e informação. Leia aquele best-seller do qual todos estão falando, mas leia também os clássicos; leia um livro de auto-ajuda, mas leia também o último do Saramago. Com o tempo e o hábito, todos os livros, independetemente do grau de dificuldade, proporcionarão o mesmo prazer.

4. Leia para aprender. Uma boa leitura tem de ser acompanhada por um bom dicionário. O dicionário não é, como se diz depreciativamente, "o pai dos burros". Ao contrário, ele é o pai dos inteligentes, dos que não têm preguiça de pensar e pesquisar. Quando encontrar uma palavra desconhecida, recorra imediatamenteamente ao dicionário. Saiba que a palavra consultada e aprendida dificilmente desaparecerá da sua mente.

5. Brinque com as palavras. Há muitas formas de ampliar o vocabulário brincando com o sentido das palavras, explorando-lhe o aspecto lúdico. Um bom exemplo são as palavras cruzadas, um jeito excelente de ampliar o vocabulário e exercitar a mente; outra forma é o trabalho com os sinônimos: escolher determinadas palavras dentro de um contexto e substituí-las por outras que dêem o mesmo sentido, ou o sentido mais próximo possível.

Por hoje é isso.
Agora, mãos à obra!

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Bloqueios na escrita II: Insegurança - o medo de errar

Muitas pessoas são excelentes escritores, mas ainda não sabem disso. São limitadas pela insegurança em escrever, a preocupação em errar. Na verdade, o medo de errar nos limita em muitas coisas em nossa vida. Como vou saber o resultado se tenho a resistência em tentar? Prever que tudo dará errado é o grande erro. Por trás dessa insegurança é revelada a falta de autonomia do escritor e a preocupação excessiva com o que os outros irão pensar. Aí, meu amigo, minha amiga.... não é desenvolvida uma escrita eficiente nunca.

Acabar com a insegurança ao escrever também requer treino. Acreditar em suas observações tácitas, suas impressões sobre determinada situação ou contexto podem ser valiosas! Acredite. Seguem algumas dicas que podem funcionar para que a insegurança faça parte do passado.

Pimentel (2008) detalha com pontualidade essas dicas:

1. Conviva bem com suas limitações. Fomos habituados a entender que, para ser perfeita, a redação tem de ser gramaticalmente perfeita. Como poucos conhecem gramática o suficiente, a maior parte das pessoas sente-se insegura ao escrever. Reconheça as suas limitações e escreva apesar delas... Mas lute sempre para superá-las.

2. Ao escrever, não pense na gramática. Quando você para para pensar se "consciência" é com 's' ou com 'ç', interrompe o fluxo do pensamento; quando você se detém para pensar na presença ou não de uma vírgula, interrompe novamente o fluxo do pensamento; quando para para "brigar" com uma regra de concordância, suas ideias correm o risco de ficar desarticuladas. Escreva do jeito que achar que é, do jeito que a palavra lhe vier à cabeça, "se solte" e deixe as ideias acontecerem. Acabou o texto? Agora você vai fazer a "faxina", corrigir, reestruturar termos e sentenças, fazer as alterações que achar interessante. E, principalmente, acredite em sua escrita.

3. Revise sempre seu texto. A revisão é fundamental. Revise os aspectos gramaticais, o vocabulário, o revise o estilo, os objetivos do texto. Não se preocupe se a revisão levá-los a escrever tudo novamente... o objetivo é esse mesmo.

4. Escrever é exercitar. O medo de escrever cria um estranho círculo vicioso. Você escreve pouco porque acha que assim errará menos, e fatalmente errará cada vez mais porque escreve pouco. Escrever é trabalho braçal, processo de ensaio e erro. Quanto mais  você escreve, melhor você escreverá.

5. Escrever bem leva tempo. Não tenha a pretensão de escrever um texto perfeito logo na primeira tentativa. Nem você nem ninguém conseguirá fazê-lo. Escrever bem leva tempo... às vezes a vida inteira.

6. Tenha paciência  e dedicação. Escrever é uma arte e, como todas as artes, exige paciência e dedicação. Talvez você precisa escrever várias e várias vezes o seu texto até que ele fique perfeito. Se isso ocorrer, não desanime. só através do trabalho persistente se chega à perfeição.

Por enquanto é isso! Até o próximo post.
Profª. Cláudia