segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Criatividade na escrita

A seguir segue o artigo de Rubens Marchioni, publicado no livro "Criatividade e Redação" pela Edições Loyola, que, à propósito, indico para leitura. O artigo é fantástico, fala com leveza que para sermos criativos temos que estar preparados para receber a criatividade. O autor inicia o texto com uma referência ao pensamento de Wendell Holmes:

"A mente humana, uma vez ampliada por uma nova ideia,
nunca mais volta ao seu tamanho original"

Criatividade é a arte de pensar de maneira diferente para encontrar caminhos in-esperados.
A escultura da ideia está escondida dentro da pedra de nossas experiências. Caprichosa, só se revela se o candidato a artista acreditar que ela existe e aventurar-se  rocha adentro, tirando com afinco os excessos e fazendo a obra, enfim, aparecer.

Embora esperada, a ideia original sempre aparece quando menos imaginamos. Mesmo sabendo que ela vem, não a recebemos sem um certo gosto de surpresa e espanto. Já que é assim, melhor preparar-se. Mais do que isso, é bom ter  a consciência de que nossa mente, uma vez ampliada por uma ideia, não será a mesma. Quando desenvolvemos a criatividade, pouco a pouco nos tornamos pessoas diferentes. Quem nos vê percebe a mudança. Pensamentos, palavras, ações, tudo revela que estamos voltando da experiência de um momento, como quem regressa de um encontro com a divindade.

A experiência já provou que remendo novo em tecido velho não dá certo - o próprio Filho de Deus faz referência a essa realidade. Portanto, se a mente não estiver pronta para receber a criatividade, não poderá enxergá-la. E, ainda que o faça, terá dificuldade para suportar o novo, eliminando-o como se faz com as coisas improváveis e sem futuro.

Em casa, na empresa ou na escola, gerar resultados pode depender somente de saber usar a criatividade - só com ela somos capazes de encontrar soluções que os meios convencionais não conseguiram oferecer e de recebê-las adequadamente quando surgirem.

Olhando para o passado, vemos na história um desfile de pessoas e empresas notáveis que se descuidaram disso. A miopia lhe custou um bocado caro, privando-os de boas experiências de sucesso. Veja alguns exemplos:
  •  Em 1878, Jean Boillaud, da Academia Francesa de Ciências, olhou com descaso para o fonólogo de Thomas Edison e disse: "É totalmente impossível que os nobres órgãos da fala humana sejam substituídos por um insensível e ignóbil metal".
  • Direto da Universidade de Oxford, pelos idos de 1879, Erasmus Wilson fez uma afirmação pouco brilhante: "Quando a Exposição de Paris se encerrar, ninguém mais ouvirá falar em luz elétrica".
  • Falando do próprio invento, Auguste Lumière mostrou quão limitada era sua visão de futuro: "O cinema será encarado por algum tempo como uma curiosidade científica, mas não tem futuro comercial".
  • Era março de 1956 quando, ao demonstrar sua descrença no rock, a famosa revista Variety previu: "Até julho sai de moda".
  • Da revista American Cinematographer veio esta previsão em 1900: "O cinema sonoro é uma novidade que durará uma temporada".
  • A The New York Times, em 1939, arriscou e não acertou: "A televisão não dará certo. As pessoas terão de ficar olhando sua tela, e a familia americana média não tem tempor para isso". E o presidente do estúdio de cinema 20th Century Fox, em 1946, concordava: "A televisão não será capaz de manter nenhum mercado que conseguir após os primeiros seis meses. As pessoas se cansarão de olhar para uma caixa de madeira compensada toda noite.
  • Para terminar, uma afirmação para pensar: "Quem disser que um dia as ruas estarão coalhadas de carruagens sem cavalos deve ser internado num asilo de loucos".
Se aceitarmos o desafio de descobrir novas ideias, é também por acreditarmos que, transformadas em ações, elas governam o mundo. Comungamos com o pensamento do Tupac Amaru José Gabriel Condorcanqui. Ao perceber a força de uma ideia, não fez cerimônia e disparou uma certeza tão simples quanto verdadeira: "Não há calibre que mate uma ideia". No máximo, ela pode ser silenciada - os sistemas ditatoriais que o digam. Mas nem por isso deixará de existir ou perderá sua força revolucionária. Tal qual o sol, que não deixa de existir apenas porque uma nuvem teimosa insiste em passar na sua frente. E, já que falamos nisso, as nuvens são passageiras, enquanto o sol atravessa milênios.
(Fonte: MARCHIONI, Rubens. Criatividade e Redação. O que é, como se faz. Edições Loyola. 2004)




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